sábado, 8 de julho de 2017

Lição 2 - O Único Deus Verdadeiro e a Criação - 9 de Julho de 2017





Veremos o que o Ensinador Cristão nos fala a respeito do único Deus verdadeiro:

O Deus único e verdadeiro se revelou de maneira suficiente em Jesus Cristo e por intermédio de Sua palavra. Não há outro meio de conhecermos a Deus, senão por seu Filho, Jesus Cristo – “E Jesus clamou e disse: Quem crê em mim crê não em mim, mas naquele que me enviou. E quem me vê a mim vê aquele que me enviou.” (Jo 12.44,45) –, conforme está revelado em Sua poderosa Palavra.

A existência de Deus

Para nos relacionarmos com Deus é necessário nos aproximarmos dEle e crer que Ele existe (Hb 11.6). De acordo com as Escrituras Sagradas, a existência de Deus é um fato incontestável. Não há preocupação alguma por parte da Bíblia em provar a existência de Deus, pois desde o primeiro versículo já se subentende essa maravilhosa realidade: “No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1). Como também é uma realidade confirmada por João 1.1: “No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. Logo, o autor aos Hebreus conclui: “Pela fé, entendemos que os mundos, pela Palavra de Deus, foram criados” (Hb 11.3). Que maravilhosa realidade! Deus é! Nele, não há início nem fi m, pois de eternidade em eternidade Ele é Deus (Sl 90.2).

Uma verdade gloriosa

Ao confirmarmos a verdade maravilhosa da existência do Deus Criador e sustentador de tudo o que há no universo, não há como não se maravilhar com Sua grandeza, poder e majestade. A Criação é obra das Suas mãos. Saber que Deus é onisciente, onipresente, onipotente, imutável, eterno (atributos incomunicáveis aos seres humanos) nos traz a segurança em um Deus tão grande que se importa conosco, seres humanos tão pequenos, finitos e limitados. Ao mesmo tempo em que se mostra fi el, bom, paciente, amoroso, gracioso, misericordioso, santo, reto, justo (atributos comunicáveis aos seres humanos), somos constrangidos, uma vez alcançados pela Sua graça, a manifestarmos tais características que emergem de Seu infinito amor.
O Deus único e verdadeiro é um Deus de amor, mas de justiça também. Fruto do Seu amor, Ele enviou o Seu fi lho para tirar o pecado do mundo; fruto de Sua justiça, Ele proveu um sacrifício sufi ciente para apagar os nossos pecados, pois nós que deveríamos estar no lugar do nosso Senhor Jesus. Dentro dessa perspectiva de amor e justiça, que as Escrituras revelam a obra de um Deus que deseja salvar homens e mulheres, reconciliando-os consigo mesmo por intermédio de Jesus Cristo (2 Co 5.19).


TEXTO ÁUREO

"E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor."
(Mc 12.29)


VERDADE PRÁTICA

Cremos em um só Deus, o Pai Todo-Poderoso, criador do céu e da terra, de todas as coisas, visíveis e invisíveis.


OBJETIVO GERAL

Mostrar que cremos em um só Deus, o Pai Todo-Poderoso, criador do céu e da terra. 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

1- Reconhecer que há somente um único Deus verdadeiro;
2- Explicar porque o criacionismo e evolucionismo são antagônicos;
3- Compreender a narrativa da criação.



INTRODUÇÃO

A doutrina de Deus é vasta, e nem mesmo os grandes tratados de teologia conseguem esgotar o assunto. O enfoque da presente lição é a unidade de Deus, o monoteísmo judaico-cristão e a obra da criação. Nosso objetivo é mostrar que há um abismo intransponível entre o criacionismo e o evolucionismo. Não há na Bíblia espaço para a teoria da evolução nas suas diversas versões. 


PONTO CENTRAL

Cremos que um só Deus, o Pai Todo-Poderoso é o criador do céu e da terra.



I - O ÚNICO DEUS VERDADEIRO

1. O Shemá. É o imperativo de um verbo hebraico que significa "ouvir, obedecer", o qual inicia o versículo que se tornou, ao longo dos séculos, a confissão de fé dos judeus: "Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR" (Dt 6.4). A cláusula final "é o único SENHOR" também se traduz por "o SENHOR é um" (Gl 3.20), conforme as versões espanhola Reina-Valera e judaica, conhecida no Brasil como Bíblia Hebraica. A construção hebraica aqui permite ambas as traduções, de acordo com a declaração de Jesus: "o Senhor é um só!" (Mc 12.29, Tradução Brasileira). Há aqui um significado teológico importante, porque a mensagem não se restringe apenas ao monoteísmo, mas a ideia de existir um só Deus, e de Deus ser um só, diz respeito tanto à "singularidade" quanto à "unidade" de Deus (Zc 14.9; Sl 86.10).



2. O monoteísmo. É a crença em um só Deus e se distingue do politeísmo, a crença em vários deuses. As principais religiões monoteístas do planeta são o judaísmo (Dt 6.4; 2 Rs 19.15; Ne 9.6), o cristianismo (Mc 12.29; 1 Co 8.6) e o islamismo. Mas o monoteísmo islâmico não é bíblico. O deus Alá dos muçulmanos é outro deus, e não o mesmo Deus Javé da Bíblia. Alá era um dos deuses da Meca pré-islâmica, deus da tribo dos coraixitas, de onde veio Maomé, que o adotou como a divindade de sua religião. O nome Alá não vem da Bíblia e nunca foi conhecido dos patriarcas, nem dos reis, nem dos profetas do Antigo Testamento, menos ainda dos apóstolos do Senhor Jesus. Os teólogos muçulmanos se esforçam para fazer o povo crer que Alá é uma forma alternativa do nome do Deus Javé de Israel, mas evidências históricas e arqueológicas provam que Alá não veio dos judeus nem dos cristãos.



3. O monoteísmo judaico-cristão. Jesus não somente ratificou o monoteísmo judaico do Antigo Testamento como também afirmou que o Deus Javé de Israel, mencionado em Deuteronômio 6.4-6, é o mesmo Deus que Ele revelou à humanidade (Jo 1.18), a quem todos os cristãos servem e amam acima de todas as coisas (Mc 12.29,30). Assim, o Deus de Israel é o mesmo Deus do cristianismo; é o nosso Deus. O apóstolo Paulo pregava para os judeus e gentios o mesmo Deus revelado por Jesus: "O Deus de nossos pais de antemão te designou para que conheças a sua vontade, e vejas aquele Justo, e ouças a voz da sua boca" (At 22.14).

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

"Nossa maneira de compreender a Deus não deve basear-se em pressuposições a respeito dEle, ou em como gostaríamos que Ele fosse. Pelo contrário: devemos crer no Deus que existe, e que optou por se revelar a nós através das Escrituras. O ser humano tende a criar falsos deuses, nos quais é fácil crer; deuses que se conformam com o modo de viver e com a natureza pecaminosa do homem. Essa é uma das características das falsas religiões. Alguns até mesmo caem na armadilha de se desconsiderar a autorrevelação divina para desenvolver um conceito de Deus que está mais de acordo com as suas fantasias pessoais do que com a Bíblia, que é a nossa fonte única de pesquisa, que nos permite saber que Deus existe e como Ele é" (HORTON, Stanley. Teologia Sistemática: Uma perspectiva pentecostal. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1996, pp. 125-6).


II - CRIAÇÃO X EVOLUÇÃO



1. O modelo criacionista. O criacionismo é a posição que propõe ser a origem do Universo e da vida resultado de um ato criador intencional. Essa cosmovisão é encarada com suspeita porque a comunidade científica incrédula a considera uma proposta meramente religiosa. É verdade que a explicação religiosa tem por base a fé (Hb 11.3), enquanto a explicação científica se fundamenta na evidência empírica. Mas existem variações em ambas as propostas. Descobertas ao longo dos séculos confirmam que causas inteligentes empiricamente detectáveis são necessárias para explicar as estruturas biológicas ricas em informação e a complexidade da natureza. Esse conceito é conhecido como Design Inteligente. Criacionismo e Design Inteligente podem ser interligados, mas não são a mesma coisa. A proposta e a metodologia de ambos não são iguais, pois nem todo criacionista aceita a Teoria do Design Inteligente e vice-versa. O modelo científico do Design Inteligente propõe que o mundo foi criado, mas não tem como provar em laboratório que Deus o criou.



2. O modelo evolucionista. É uma teoria que nunca se sustentou cientificamente, apesar de sua aparência científica (1 Tm 6.20). Tem por base pressupostos naturalistas, entre os quais a proposta darwinista da seleção natural se destaca como o principal mecanismo evolutivo. O naturalismo, a hipótese mais aceita para explicar o evolucionismo, ensina que organismos biológicos existentes evoluíram em um longo processo através das eras. É a cosmovisão favorável à ideia de que o universo e a vida vieram à existência por meio de processos de geração espontânea, sem intervenção de um ato criador, isto é, eles teriam evoluído até a complexidade atual por meio da seleção natural, a teoria da sobrevivência dos mais fortes. Mas tudo isso não passa de mera teoria que nunca pôde ser confirmada. O evolucionismo ateu exclui Deus da criação.


SUBSÍDIO TEOLÓGICO

"[...] Quando consideramos a possibilidade de que Deus usou o processo evolucionário para criar ao longo de milhões de anos, confrontamo-nos com sérias consequências: a Palavra de Deus não é mais competente e o caráter de nosso Deus amoroso é questionado.
Já na época de Darwin, um dos principais evolucionistas entendia o problema de fazer concessão ao afirmar que Deus usou a evolução. Uma vez que você aceite a evolução e suas implicações para a história, então o homem está livre para escolher as partes da Bíblia que quer aceitar" (HAM, Ken. Criacionismo: verdade ou mito? 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2011, pp. 35,36).

III - A CRIAÇÃO



1. A criação do Universo. Deus criou o universo do nada; é a chamada creatio ex nihilo da teologia judaico-cristã revelada na Bíblia. A narrativa do primeiro capítulo de Gênesis é entendida à luz do contexto bíblico. O ponto de partida da criação é: "No princípio criou Deus os céus e a terra" (Gn 1.1). O verbo hebraico "criou" é bará, e este apresenta características peculiares: o sujeito da afirmação é sempre Deus, o Deus de Israel, e nunca foi aplicado a deuses estranhos; é um termo próprio para referir-se à ação criadora de Deus a fim de distinguir-se de toda e qualquer realização humana. Essa ideia do fiat divino, ou seja, do "faça-se", é apoiada em toda a Bíblia. Deus trouxe o universo à existência do nada e de maneira instantânea, pela sua soberana e livre vontade (Sl 33.9; Hb 11.3; Ap 4.11).




2. A narrativa da criação em Gênesis 1. No primeiro dia, Deus trouxe à existência a luz (Gn 1.3); no segundo, criou a expansão ou firmamento (vv.6-8); e, no terceiro, "disse Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar; e apareça a porção seca" (v.9). A essa porção seca Ele chamou terra e ao ajuntamento das águas, mares (v.10). Ainda no terceiro dia, surgiram os continentes com seus relevos e a vegetação (vv.9-13). Os corpos celestes: o sol, a lua e as estrelas aparecem no quarto dia (vv.14-19). As aves e os animais marinhos surgem no quinto dia (vv.20-23). 




3. A criação do ser humano. A raça humana teve sua origem em Deus, através de Adão (At 17.26; 1 Co 15.45). O ser humano foi criado no sexto dia, como a coroa de toda a criação, e recebeu de Deus a incumbência de administrar a terra e a natureza. O homem não é meramente um animal racional, mas um ser espiritual criado à imagem e semelhança de Deus. A frase "Façamos o homem" (Gn 1.26), quer dizer: "Vamos fazer o ser humano", pois o termo hebraico usado para "homem" é adam, que significa "gênero humano". O ser humano criado por Deus se constitui em "macho e fêmea" (v.27). Esse ser humano recebeu diretamente de Deus o sopro em suas narinas (Gn 2.7). Em outro lugar, a Bíblia revela que Deus o fez um pouco menor do que os anjos (Sl 8.5).

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

"Em Gênesis 1, a palavra hebraica para dia é yom. A maior parte do uso dela no Antigo Testamento é com o sentido de dia, dia literal; e, nas passagens em que o sentido não é esse, o contexto deixa isso claro. 
Primeiro, yom é definido na primeira vez em que é usado na Bíblia (Gn 1.4,5) em seus dois sentidos literais: a porção clara do ciclo luz/trevas e todo o ciclo luz/trevas. Segundo, yom é usado com 'noite' e 'manhã'. Em todas as passagens em que essas duas palavras são usadas no Antigo Testamento, juntas ou separadas, e no contexto de yom ou não, elas sempre tem o sentido literal de noite ou manhã de um dia literal. Terceiro, yom é modificado por um número: primeiro dia, segundo dia, terceiro dia, etc., o que em todas as passagens do Antigo Testamento indicam dias literais. Quarto, Gênesis 1.14 define literalmente yom em relação aos corpos celestiais" (HAM, Ken. Criacionismo: Verdade ou mito? 1ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2011, p. 30).



CONCLUSÃO

Os ensinos inadequados sobre Deus e o Senhor Jesus Cristo exigiram da Igreja desde muito cedo uma definição sobre o assunto. Os principais credos iniciam declarando que Deus é o Criador de todas as coisas no céu e na terra. Trata-se de um resumo do que ensina a Bíblia desde Gênesis até Apocalipse. Era uma resposta aos diversos conceitos errôneos dos gnósticos sobre Deus. O contexto hoje exige uma resposta similar, pois são muitos os nossos desafios. Devemos estar preparados para combater a indiferença religiosa e o ceticismo à nossa volta que tanto têm contaminado vizinhos, colegas de escola e também do trabalho.


- As imagem pertence ao site Escola-Dominical.

- Ensinador Cristão Nº 71 do 3º trimestre de 2017, Por Marcelo Oliveira de Oliveira.

EV. RIVALDO NASCIMENTO






sábado, 1 de julho de 2017

Lição 1 - Inspiração divina e autoridade da Bíblia




Para subsidiar o estudo veremos o comentário do Ensinador Cristão Nº 71 do 3º trimestre de 2017, Por Marcelo Oliveira de Oliveira.

Propósito do Trimestre


    Com o advento da Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil, um documento inédito para a denominação brasileira, tem-se a oportunidade de estudar as doutrinas bíblicas fundamentais para a edificação da igreja. Também no campo “Verdade Prática”, ao longo revista, você perceberá os artigos de um belo documento que resume a nossa fé: o Cremos, também reformulado. Seguindo o esquema das principais teologias sistemáticas, inauguraremos o estudo deste trimestre tendo como tema a Bíblia: sua formação, autoridade e inspiração divina.

A Bíblia, Palavra de Deus

    No tempo dos apóstolos ainda não havia a formação final do Novo Testamento. Quando se reunia para cultuar a Deus, a igreja neotestamentária lia o Antigo Testamento. E quando recebia as cartas apostólicas, as lia nas reuniões semanais. Posteriormente, essas cartas, e os evangelhos, foram paulatinamente aceitos pela igreja como escritos inspirados por Deus. Ora, havia alguns critérios para isso: como a autoria apostólica ou de pessoas que tivessem andando com os apóstolos que viram Jesus. Por direção divina, temos hoje os 27 livros reunidos em o Novo Testamento, mais os 39 do Antigo. Totalizando 66 livros na Bíblia.
O teólogo pentecostal, John R. Higgins, remonta os primórdios da formação da Bíblia Sagrada, mostrando que a composição dos livros da Bíblia está fechada e o que temos em mãos foi milagrosamente nos dado por Deus:  “O cânon bíblico está fechado. A revelação infalível que Deus fez de si mesmo já foi registrada. Hoje, Ele continua falando através dessa Palavra. Assim como Deus revelou a si mesmo, e inspirou os escritores a registrar essa revelação, Ele mesmo preservou esses escritos inspirados, e orientou o seu povo na escolha destes, a fim de garantir que a sua verdade viesse a ser conhecida. Não se deve acrescentar outros escritos às Escrituras canônicas, nem se deve tirar delas nenhum escrito. O cânon contém as raízes históricas da Igreja Cristã, e ‘o cânon não pode ser refeito assim como a história não pode ser mudada’” (Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. CPAD, p.115).
Hoje, se temos uma Bíblia em mãos é milagre de Deus! Devemos agradecê-lo por nos entregar a Sua Palavra. E a melhor maneira de fazer isso é meditar nas Escrituras dia e noite (Js 1.8), de modo que ela esteja “encarnada” em nossa mente e coração.


O comentarista  deste trimestre é o Esequias Soares

Esequias Soares é Líder da AD em Jundiaí-SP, graduado em letras (Hebreaico) pela Universidade de São Paulo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Hebraico, Grego, Apologia Cristã, bem como Comentariasta de Lições Bíblicas e autor de diversos livros, entre eles Visão Panorâmica do Antigo Testatamento, Heresias e modismos, Comentário Bíblico - Oseias, o Ministério Profético na Bíblia e coautor de Teologia Sistemática Pentecostal, editado pela CPAD.


TEXTO ÁUREO


"Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo."
(2 Pe 1.21)


VERDADE PRÁTICA

Cremos na inspiração divina, verbal e plenária da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé e prática para a vida e o caráter cristão.

2 Timóteo 3.14-17

14 - Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido.
15 - E que, desde a tua meninice, sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus.
16 - Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça,
17 - para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra.

OBJETIVO GERAL

Conscientizar a respeito da inspiração divina, verbal e plenária da Bíblia Sagrada. 



Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

Reconhecer a revelação e inspiração da Bíblia Sagrada;
Mostrar a inspiração divina na Bíblia Sagrada;
Explicar a inspiração plena e verbal da Bíblia Sagrada;  
Saber que a Bíblia Sagrada é a nossa única regra de fé e prática.




INTRODUÇÃO

A Bíblia é a revelação de Deus escrita para a humanidade. Disso decorre o fato de ela ser nossa exclusiva fonte de autoridade espiritual. Sua inspiração divina e sua soberania como única regra de fé e prática para a nossa vida constituem a doutrina basilar da fé cristã. Essa inspiração é um fato singular que ocorreu na história da redenção humana. O enfoque da presente lição é sobre a importância e o significado dessa inspiração divina. 

PONTO CENTRAL

Cremos na inspiração divina e autoridade da Bíblia Sagrada.


I - REVELAÇÃO E INSPIRAÇÃO



1. Revelação. A palavra "revelação", apocalipsis, em grego, significa o ato e o efeito de tirar o véu que encobre o desconhecido. Nas Escrituras, essa palavra é usada em relação a Deus, pois é Ele quem revela a si mesmo, a sua vontade e natureza e os demais mistérios. Ele "não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas" (Am 3.7). Deus conhece tudo aquilo que está fora do alcance dos seres humanos. A busca da verdade, sem Deus, é vã e está destinada ao fracasso (1 Co 1.21). 



2. Inspiração. É o registro dessa revelação sob a influência do Espírito Santo, que penetra até as profundezas de Deus (1 Co 2.10-13). Divinamente inspirados são os 66 livros da Bíblia. Os escritores sagrados foram os receptáculos da revelação: "homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo" (2 Pe 1.21, ARA). Eles receberam os oráculos divinos de forma especial, exclusiva, única e milagrosa. Ninguém mais, além deles, foi usado por Deus dessa maneira específica.


3. A forma de comunicação. O processo de comunicação divina aos profetas do Antigo Testamento se desenvolveu por meio da palavra e da visão, do som e da imagem (Jr 1.11-13). A revelação aos apóstolos no Novo Testamento veio diretamente do Senhor Jesus Cristo (Gl 1.11,12; 2 Pe 1.16-18; 1 Jo 1.3) e do Espírito Santo (Ef 3.4,5). A frase "veio a palavra do SENHOR a", "veio a mim a palavra do SENHOR" ou fraseologia similar, tão frequente no Antigo Testamento, diz respeito a uma revelação direta, externa e audível. Essa forma de comunicação não aparece no Novo Testamento na comunicação divina aos apóstolos, exceto uma única vez no ministério de João Batista: "veio no deserto a palavra de Deus a João, filho de Zacarias" (Lc 3.2), pois ele é o último profeta da dispensação da lei (Lc 16.16).




SUBSÍDIO TEOLÓGICO

"[...] Um resumo a respeito do que a Bíblia alega sobre si mesma pode ser encontrado em duas passagens principais. Pedro disse que os autores foram impelidos pelo Espírito Santo, e Paulo declarou que seus escritos foram soprados pelo próprio Deus. Portanto, a Bíblia alega que autores movidos pelo Espírito Santo expressaram as palavras inspiradas por Deus (2 Pe 1.20,21).  Em suma, os escritos proféticos (do Antigo Testamento) não tiveram sua origem nos homens, mas em Deus, que agiu por meio de alguns homens chamados de profetas de Deus" (GEISLER, Norman. Teologia Sistemática: Introdução à Teologia Sistemática, a Bíblia, Deus, a Criação. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2011, pp. 213,214).



*A Septuaginta (LXX)
"A versão padrão em grego [do Antigo Testamento], produzida em Alexandria, é conhecida como Septuaginta (LXX), que é a palavra latina para 'setenta'. Essa tradução foi, sem dúvida, realizada durante os séculos III e II a.C.," e "não foi projetada para ter as mesmas finalidades funcionais do AT hebraico, pois seu propósito era para ser lida publicamente nas Sinagogas, ao contrário dos propósitos educativos daqueles que precisavam do texto hebraico". Para conhecer mais, leia Dicionário Bíblico Wycliffe, CPAD, pp.1994-95.


II - A INSPIRAÇÃO DIVINA



1. A inspiração divina. "Toda a Escritura é inspirada por Deus" (v.16, ARA). A palavra grega, aqui traduzida por "inspirada por Deus" ou "divinamente inspirada", é theopneustos. Ela só aparece uma única vez na Bíblia, vinda de duas palavras gregas: theos, "Deus", e pneo, "respirar, soprar". Isso significa que o texto sagrado foi "soprado por Deus". A palavra teopneustia significa "inspiração divina da Bíblia". Segundo o Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa, de Caudas Aulete, o termo quer dizer "inspiração divina que presidiu à redação das Sagradas Escrituras". Josefo, o historiador judeu, e Fílon de Alexandria, disseram que as Escrituras são divinamente inspiradas, mas usaram outros termos.




2. Uma avaliação exegética. Estamos acostumados com duas traduções: "toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa" e "toda Escritura é divina inspirada e proveitosa". Ambas as versões são permitidas à luz da gramática grega. Mas a primeira é mais precisa, pois a conjunção grega kai, "e", aparece entre os dois adjetivos "inspirada" e "proveitosa". Isso significa que o apóstolo está afirmando duas verdades sobre a Escritura, a saber: divinamente inspirada e proveitosa; e não somente uma dessas duas coisas. Dizer que "toda a Escritura divinamente inspirada é proveitosa" pode dar margem para alguém interpretar que nem toda Escritura é inspirada.



3. Autoridade. A autoridade da Bíblia deriva de sua origem divina. O selo dessa autoridade aparece em expressões como "assim diz o SENHOR" (Êx 5.1; Is 7.7); "veio a palavra do SENHOR" (Jr 1.2); "está escrito" (Mc 1.2). Isso encerra a suprema autoridade das Escrituras com plena e total garantia de infalibilidade, pois a Bíblia é a Palavra de Deus (Mc 7.13; 1 Pe 1.23-25).

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

"Existem muitas palavras ou frases que a Bíblia utiliza para se auto-descrever e que sugerem uma reivindicação de autoridade divina. Jesus disse que a Bíblia é indestrutível e que ela jamais passará (Mt 5.17,18); ela é infalível, ou 'não pode ser anulada' (Jo 10.35); ela tem a autoridade final (Mt 4.4,7,10); e ela é suficiente para a nossa fé e prática (Lc 16.31)" (HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma perspectiva Pentecostal. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1996, p. 218).


III - INSPIRAÇÃO PLENA E VERBAL



1. Inspiração plenária. Tal expressão significa que todos os livros das Escrituras são inspirados por Deus. O apóstolo Paulo deixa isso muito claro quando afirma que "toda a Escritura é divinamente inspirada". A inspiração da Bíblia é especial e única. Não existe na Bíblia um livro mais inspirado e outro menos. Todos têm o mesmo grau de inspiração e autoridade. 

A Bíblia que Jesus e seus apóstolos usavam era formada pela Lei de Moisés, os Profetas e os Escritos; essa terceira parte é encabeçada pelos Salmos (Lc 24.44). O termo "Escritura" ou "Escrituras" que aparece no Novo Testamento refere-se a esse Cânon tripartido, que é o mesmo Antigo Testamento de nossa Bíblia. Cabe ressaltar que o apóstolo Paulo, ao afirmar que "toda a Escritura é divinamente inspirada", se referia também aos escritos apostólicos.

Os escritos dos apóstolos se revestiam da mesma autoridade dos livros do Antigo Testamento já desde a Era Apostólica. Inclusive, "profetas e apóstolos", às vezes, aparecem como termos intercambiáveis (2 Pe 3.2). O apóstolo Pedro considera ainda as epístolas paulinas como Escrituras (2 Pe 3.15,16). O apóstolo Paulo ensinava: "Porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: Digno é o obreiro do seu salário" (1 Tm 5.18). O apóstolo aqui coloca lado a lado citações da lei de Moisés (Dt 25.4) e dos Evangelhos (Mt 10.10; Lc 10.7), chamando ambas de "Escritura". Outras vezes, ele deixa claro que seus escritos são de origem divina (2 Co 13.3; 1 Ts 2.13). Isso nos permite afirmar que a frase "Toda Escritura é divinamente inspirada" se refere à Bíblia completa, aos 66 livros do Antigo e Novo Testamento.




2. Inspiração verbal. Essa característica bíblica significa que cada palavra foi inspirada pelo Espírito Santo (1 Co 2.13); e também que as ideias vieram de Deus (2 Pe 1.21). O tipo de linguagem, o vocabulário, o estilo e a personalidade são diversificados nos textos bíblicos porque Deus usou cada escritor em sua geração e em sua cultura, com seus diversos graus de instrução. Isso mostra que quem produziu esses livros sagrados eram seres humanos que viveram em várias regiões e pertenceram a diversas gerações desde Moisés até o apóstolo João, passaram-se cerca de mil anos. Eles não foram tratados como meras máquinas, mas como instrumentos usados pelo Espírito Santo. Deus "soprou" nos escritores sagrados. Uns produziram som de flauta e outros de trombetas, mas era Deus quem soprava. Assim, eles produziram esse maravilhoso som que são as Escrituras Sagradas. 


SUBSÍDIO TEOLÓGICO

"Apesar do mistério que ronda o modo como Deus fez com que sua palavra fosse fiel sem destruir a liberdade e a personalidade dos autores humanos, existem algumas coisas que ficam muito claras. Os autores humanos não eram simplesmente secretários que anotavam algo que estava sendo ditado a eles; a sua liberdade não foi suspensa nem negada. Eles não foram autômatos. As suas palavras correspondiam ao seu desejo, no estilo em que estavam acostumados a escrever. Na sua providência, Deus promoveu uma concordância divina entre as palavras deles e as suas" (HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma perspectiva Pentecostal. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1996, p. 222).


IV - ÚNICA REGRA INFALÍVEL DE FÉ E PRÁTICA



1. "Proveitosa para ensinar". O propósito das Escrituras é o ensino para a salvação em Jesus, pois elas "podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus" (2 Tm 3.15). São ensinos espirituais que não se encontram em nenhum lugar do mundo. A Bíblia revela os mistérios do passado como a criação, os do futuro como a vinda de Jesus, os decretos eternos de Deus, os segredos do coração humano e as coisas profundas de Deus (Gn 2.1-4; Is 46.10; Lc 21.25-28). 




2. A conduta humana. A Bíblia corrige o erro e é útil para orientar a vida sendo "proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça" (v.16b). Uma das grandezas das Escrituras é a sua aplicabilidade na vida diária, na família, na igreja, no trabalho e na sociedade. Deus é o nosso Criador e somente Ele nos conhece e sabe o que é bom para suas criaturas. E essas orientações estão na Bíblia, o "manual do fabricante". 




3. As traduções da Bíblia. A autoridade e as instruções das Escrituras valem para todas as línguas em que elas forem traduzidas. É vontade de Deus que todos os povos, tribos, línguas e nações conheçam sua Palavra (Mt 28.19; At 1.8). Em que idioma essa mensagem deve ser pregada? Hebraico? Grego? Aramaico? Não! Na língua do povo. Os apóstolos citam diversas traduções gregas da Septuaginta no Novo Testamento. Isso mostra que a mesma inspiração do Antigo Testamento hebraico se manteve na Septuaginta. A citação de Salmos 8.4-6 em Hebreus 2.6-8 é um bom exemplo. A inspiração divina se conserva em outras línguas. Desde os tempos do Antigo Testamento, até hoje, Deus se manifestou e se manifesta a cada um de seus servos e suas servas no seu próprio idioma.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

"Através do mundo inteiro, qualquer crente, ao ler a Bíblia, recebe sua mensagem como se esta fora escrita diretamente para ele. Nenhum crente tem a Bíblia como livro alheio, estrangeiro, como acontece aos demais livros traduzidos. Todas as raças consideram a Bíblia como possessão sua. Por exemplo, ao lermos 'O Peregrino' sabemos que ele é inglês; ao lermos 'Em seus passos que faria Jesus?' sabemos que é norte-americano, porque seus autores são oriundos desses países. É assim com a Bíblia? Não! Nós a recebemos como 'nossa'. Isso acontece em qualquer país onde ela chega. Ninguém tem a Bíblia como livro 'dos outros'. Isto prova que ela procede de Deus - o Pai de todos" (GILBERTO, Antonio. A Bíblia através dos Séculos: A história e formação do Livro dos livros. 14.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p. 46).




CONCLUSÃO

Cremos que a Bíblia é a única revelação escrita de Deus para toda a humanidade e que seu texto foi preservado e sua inspiração divina é mantida nas 2.935 línguas em que ela é traduzida (segundo dados da Sociedade Bíblica do Brasil). Que cada um possa receber a Bíblia sem restrição alguma, pois ela é a Palavra de Deus em qualquer língua em que vier a ser traduzida.

- As imagem pertence ao site Escola-Dominical.

- Ensinador Cristão Nº 71 do 3º trimestre de 2017, Por Marcelo Oliveira de Oliveira.

EV. RIVALDO NASCIMENTO




domingo, 18 de junho de 2017

O NASCIMENTO DE JESUS PROFETIZADO NO AT E SEU CUMPRIMENTO NO NT







O NASCIMENTO DO REDENTOR 

Os Evangelhos começam com a revelação da vinda do redentor de Israel. Nosso estudo focalizará maneiras de revelação no NT. A Sua vinda cumpriu as profecias do AT. Passaremos, portanto, a examinar as verdades teológicas envolvidas na vinda do Messias. O alicerce no AT As narrativas do nascimento do Redentor, registradas nos Evangelhos, podem ser divididas em dois grupos, sendo que ambos têm suas raízes no AT. O primeiro grupo consiste nas várias proclamações feitas pelos anjos antes do nascimento do Messias. O segundo grupo consiste no testemunho de vários indivíduos quanto à chegada do Messias. Essas proclamações foram um alicerce sólido para a Teologia messiânica do NT. Remontam até ao passado no AT, e também esperam para o futuro próximo o cumprimento do plano divino da redenção

O anjo disse a Zacarias que o filho deste viria no poder e no ministério de Elias (Lc 1.11-22). A Maria foi dito que seu filho seria chamado “filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai” (Lc 1.32). A promessa dada no AT de um rei vindouro para reinar no trono de Davi seria cumprida no Filho de Maria. Concluímos, portanto, que os nascimentos de João Batista e de Jesus eram cumprimentos das profecias do AT.

Cumprimento na redenção Deus tinha mantido Sua revelação da redenção suspensa por quase 400 anos. Agora, através do ministério do Espírito Santo, bem como em proclamações por anjos, Ele revelou o cumprimento iminente de Sua promessa da redenção na chegada do Redentor. Por que o anjo disse a José que o filho seria chamado “Jesus”? 

O anjo responde à nossa pergunta: “[...] porque ele salvará o Seu povo dos seus pecados” (Mt 1.21). Este nome redentor para o Messias indicava que algo antigo e novo estava para acontecer em Israel. Era algo antigo porque estava em harmonia com a promessa da redenção que se acha no AT. Jeremias declarou a promessa de Deus: “[...] porque lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais me lembrarei dos seus pecados” (Jr 31.34). Era algo novo porque Israel tinha perdido de vista a necessidade para a redenção do pecado. A nação passara a se preocupar exclusivamente com seu livramento de Roma. A profecia de Zacarias a respeito de seu próprio filho, João, também dizia a respeito da redenção: “[...] hás de ir ante a face do Senhor, a preparar os seus caminhos, para dar ao Seu povo conhecimento da salvação, na remissão dos seus pecados” (Lc 1.76-77). Conforme comentou certo escritor a respeito do impacto da profecia de Zacarias:

João não podia salvar as pessoas. Nenhum homem poderia fazer isso. Mas podia chamar as pessoas ao arrependimento e contar-lhes a respeito daquele que as podia, de fato, salvar.

A graça e a misericórdia de Deus A graça não começou com o NT. Desde o início do AT, a graça de Deus era o princípio fundamental para o relacionamento entre o homem e Deus. A tragédia é que Israel perdeu de vista esta verdade e substituiu-a por um relacionamento baseado na Lei, conforme definida nos pormenores minuciosos da tradição oral. A tradição legal teve licença de eclipsar a graça de Deus. Veja, porém, como começa o NT! 

Mais uma vez, a misericórdia e a graça de Deus são reveladas desde as primeiras páginas. Deus não esperou até que Israel merecesse ser liberto dos seus inimigos (o que era ensinado pelos rabinos). Pelo contrário, desde o próprio início as ações de Deus para com Israel baseavam-se no princípio inalterável de sua graça e misericórdia. Maria, por exemplo, reconheceu este princípio no seu cântico. Duas vezes, ela ligou a atividade redentora de Deus com a Sua misericórdia. Leia o que ela cantou: “E a sua misericórdia é sobre os que o temem”; “Auxiliou a Israel seu servo, recordando-se de sua misericórdia” (Lc 1.50; 1.54). De acordo com Zacarias, a graça e a misericórdia de Deus estavam evidentes no nascimento de seu filho João Batista (Lc 1.72). Reconhecia, também, que a derradeira consequência da graça de Deus seria o livramento de Israel e sua redenção do pecado (Lc 1.78). Esta Teologia da graça era o inverso total da so total da Teologia judaica eologia judaica daqueles dias. Certo escritor expressou o contraste entre a ideia judaica contemporânea da graça e apresentação da graça no NT, como segue: A sequência judaica é: Israel deve primeiro cumprir a Lei, e então, à guisa de recompensa, O Messias aparecerá. 

A nova sequência é: o Messias aparecerá primeiro, como dádiva da graça divina e, por meio dele, Israel será capacitado a prestar a obediência apropriada.


A vinda do Senhor e a vinda do Messias Havia duas linhas proféticas no AT. Uma delas previa a vinda do próprio Senhor em uma teofania suprema (Is 40.3-5; Ml 3.1-3). A outra esperava a vinda do Messias no ato do livramento final para Israel (Zc 9.9-10; Mq 5.2). 

Os Evangelhos combinam essas duas linhas de profecias, na vinda do Redentor Messiânico. Examine as palavras do anjo dirigidas a Maria: “[...] e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi seu pai” (Lc 1.32). Considere, agora, as palavras de Isabel a Maria: “[...] E donde me provém isto a mim, que venha visitar-me a mãe do meu Senhor?” (Lc 1.43). Finalmente, Zacarias disse ao seu filho recém-nascido: “[...] porque hás de ir ante a face do Senhor, a preparar os seus caminhos” (Lc 1.76). 

Podemos combinar essas duas correntes proféticas nas referências acima como alusões ao mesmo evento: a vinda do Redentor Messiânico. A promessa da vinda do Senhor e a da vinda do Messias foram igualmente cumpridas no nascimento de Jesus. Essa verdade também é ilustrada para nós nos dois nomes dados ao Messias quando foi anunciado o seu nascimento vindouro. Em primeiro lugar, há o nome Jesus que lhe foi dado porque Ele salvaria os homens dos pecados deles. Em segundo lugar, há o nome Emanuel que, como se sabe, significa Deus conosco (Mt 1.21 e 23).


O Espírito Santo na missão da redenção 

O ministério do Espírito Santo ficara oculto a Israel durante o período intertestamentário. Agora, já nas páginas introdutórias do NT, há uma renovada atividade do Espírito. Por exemplo, tanto Isabel quanto Zacarias estavam cheios do Espírito Santo quando profetizaram (Lc 1.41,67). Mais uma vez, assim como no AT, a mensagem profética estava associada ao ministério do Espírito Santo. O papel principal do Espírito no período inicial do NT foi o nascimento do Redentor. É claro que consideraremos este fato com maiores detalhes quando estudarmos o nascimento virginal do Messias. Leia, por enquanto, as seguintes referências: Mt 1.18-20 e Lc 1.35.

A missão universal da redenção 

A literatura apocalíptica deleitava-se em antegozar a destruição das nações gentílicas por Deus. A Assunção de Moisés registra que: “o altíssimo se levantará [...] e aparecerá para castigar os gentios [...] e então tu, ó Israel, estarás feliz”. Nada poderia ter ficado mais longe da mentalidade judaica do que a mensagem da redenção, porque seria aplicada tanto aos judeus quanto aos gentios. No entanto, é exatamente isso, que vemos nas palavras de Simeão quando tomou nos braços a criancinha que era o Messias. Declarou que Jesus seria “Luz para alumiar os gentios” (Lc 2.32). Citava de Is 42.6 e 49.6 que indicam a missão redentora universal do Messias vindouro.

Você deve ter notado que nosso resumo da revelação que diz respeito à chegada do Messias tem se concentrado no elo entre a promessa no AT e o cumprimento no NT. O fundamento teológico do NT é a verdade sólida do AT. Passaremos, agora, para o ministério e a mensagem de João Batista. Tem sido dito que ele era o último profeta do AT e o primeiro profeta do NT. É de se esperar, portanto, que acharemos nele uma continuação da ligação entre a mensagem do Antigo e o Novo Testamento.

A MENSAGEM DE JOÃO BATISTA 

Não há dúvida que João Batista despertou a consciência religiosa de Israel. Mateus registra: “Então ia ter com ele Jerusalém, e toda a Judéia, e toda a província adjacente ao Jordão” (Mt 3.5). Ele não era, portanto, um agitador. Não viera a Israel com uma mensagem política, mas com uma que pretendesse fazer voltar o coração do povo a Deus. A mensagem de João Batista oão Batista dizia respeito ao juízo divino vindouro e à necessidade do povo de Israel arrepender-se a fim de escapar a esse julgamento.

Um julgamento vindouro (Mt 3.7-12) 

Já notamos como os judeus antegozavam o dia em que Deus julgaria as nações gentílicas. Acreditavam que esse julgamento seria tanto rápido quanto definitivo. João Batista, por outro lado, anunciou que esse julgamento vindouro também afetaria Israel. Segundo ele, a descendência física de Abraão não é uma salvaguarda contra o julgamento divino (Mt 3.9). Por isso, o Batista conclamou o povo a preparar-se para o julgamento vindouro.

Como Israel devia se preparar para o julgamento divino vindouro? Diz-se que os escritos apocalípticos, que influenciaram tão grandemente a teologia judaica, não continham qualquer ensinamento ético. Não havia nenhum apelo para que a nação se posicionasse firmemente a favor da retidão. Afinal de contas, os escritos apocalípticos ensinavam que ser membro da nação de Israel bastava para garantir a bênção de Deus. Mas bastava mesmo? A resposta de João Batista foi um Não! decisivo. A única maneira do povo poder preparar-se para esse julgamento era através de uma reconciliação com Deus mediante o arrependimento pessoal.

A necessidade de arrependimento (Mt 3.2) 

Não tenha dúvidas quanto a isso: o arrependimento está no âmago da mensagem do Evangelho. Isso fica claro pelo fato que João Batista anunciou a necessidade do arrependimento já no início de Seu ministério a Israel. Podemos entender melhor o impacto de João Batista sobre Israel examinando o pano de fundo da Teologia do arrependimento. Para fazer isso, daremos uma outra olhada retrospectiva no AT, e, em seguida no conceito de arrependimento que os judeus tinham nos dias do NT.

Arrependimento no AT 

Em muitas ocasiões, os profetas conclamavam a nação de Israel a arrepender-se de seu pecado. O arrependimento envolvia um processo duplo. Primeiro, o pecado deveria ser abandonado deliberadamente. Conforme disse Ezequiel: “Convertei-vos, e deixai os vossos ídolos; e desviai os vossos rostos de todas as vossas abominações” (Ez 14.6). Em segundo lugar, o arrependimento devia envolver uma volta deliberada a Deus. Isaías combinou essas duas ideias na sua chamada a Israel: “Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos, e se converta ao Senhor [...]” (Is 55.7). Deve ser enfatizado que os profetas não falavam do arrependimento como simplesmente um ato externo ou uma cerimônia religiosa. Pelo contrário, o arrependimento exigia a dedicação interior da totalidade do coração. Conforme disse Joel a Israel: “[...] rasgai o vosso coração, e não os vossos vestidos” (Jl 2.13).

O arrependimento nos livros apócrifos 

De acordo com os livros apócrifos, não havia nenhuma necessidade para Israel arrepender-se. As bênçãos de Deus eram obtidas por meio da obediência à Lei. Os atos de obediência deviam pesar mais do que os atos de desobediência, na balança da justiça de Deus. Enquanto os atos de obediência pesavam mais do que os atos de desobediência, não havia necessidade de arependimento. Já vimos que o AT era específico na sua chamada para Israel arrepender-se. Israel, no entanto, perdeu esta verdade de vista. O mandato de João Batista era fazer voltar à verdade do arrependimento genuíno.

A teologia do arrependimento de João Batista 

Da mesma maneira que seus antecessores no AT, João Batista rejeitava a ideia de que Israel possuísse um saldo credor de retidão diante de Deus. Sua mensagem era nítida e clara. O arrependimento era a única maneira de escapar do julgamento divino vindouro. Além disso, a sinceridade desse arrependimento devia ser demonstrada em uma atitude ética e conduta radicalmente nova (Mt 3.8 e 10). João incluiu todos os níveis da sociedade judaica na sua chamada ao arrependimento:

as multidões > Lc 3.7 
os publicanos > Lc 3.12,13 
os soldados > Lc 3.14 
os líderes religiosos > Mt 3.7-9 

É nesse contexto do julgamento vindouro e do arrependimento necessário que agora voltaremos nossa atenção à significância teológica do rito do batismo de João.

O batismo do arrependimento (Mt 3.6 e 11; Mc 1.4 e 5; Lc 3.2 e 3) 

Israel acreditava ter a bênção de Deus simplesmente porque era o povo escolhido. Os gentios convertidos ao judaísmo, por outro lado, tinham que submeterse a uma forma de purificação cerimonial nunca aplicada aos membros da nação de Israel. João Batista veio com uma mensagem diferente. Pregava também que os judeus precisavam submeter-se a um batismo de arrependimento. O que talvez seja mais surpreendente é que a mensagem de João Batista foi rapidamente correspondida nos corações de muitos (Mc 1.5). Israel tinha consciência de sua carência espiritual? Sabia aquele povo que sua identidade nacional e sua submissão à escravidão legalista religiosa o deixara totalmente insatisfeito? Acho que a resposta a essas duas perguntas é positiva.

Qual era a significância do batismo de João? O batismo de João visava ser a expressão externa do arrependimento interno que restaura o relacionamento com Deus mediante o perdão do pecado. Este perdão não é concedido mediante a submissão ao ato exterior do batismo de João. Pelo contrário, o batismo era para ser a demonstração exterior e pública do perdão que já fora recebido por causa de um ato interior de arrependimento, já realizado.

Como João Batista apresentou Jesus a Israel como Messias. Veremos, também, que João reconhecia a vinda doutra forma de batismo, o batismo messiânico. Examinaremos, ainda, como João interpretava a missão do Messias.

APRESENTANDO O REDENTOR A ISRAEL 

João Batista tinha a responsabilidade incomparável de apresentar o Redentor Messiânico ao Seu povo (Mt 3.3; Mc 1.2,3; Lc 3.2-6). Como João cumpriu essa responsabilidade à nação? Como apresentou ao povo o Messias, que era esperado desde muito tempo? 

As respostas a estas duas perguntas acham-se naquilo que João Batista disse ao povo a respeito do Messias. Sua apresentação do Messias é de importância vital para nosso estudo da Teologia do NT. A interpretação teológica do Messias na Sua Pessoa e na Sua missão, que aparece posteriormente no NT, segue o padrão estabelecido por João Batista. Nosso estudo será dividido em duas áreas: o batismo messiânico e a missão messiânica.

O batismo messiânico (Mt 3.11; Mc 1.8; Lc 3.16) 

As pessoas dirigiam a João a pergunta importante: “És tu o Messias?”. Respondendo, dirigia a atenção delas para longe de si mesmo, para outro, cuja característica distintiva seria um batismo no fogo e no Espírito Santo. Tem havido muito debate a respeito daquilo que João queria dizer com este batismo no fogo e no Espírito Santo. Cremos que podemos distinguir dois elementos centrais neste batismo messiânico.

Um batismo de bênção 

Precisamos voltar de novo ao AT a fim de ver melhor como deve ser interpretado este batismo. Segundo as profecias do AT, este batismo envolverá um derramamento do Espírito Santo sobre a nação de Israel (Is 32.15; 44.3-5; Jl 2.28,29).

Este derramamento do Espírito Santo sempre se associava com a vinda do Messias. O AT ensinava que quando vier o Messias, Israel experimentará uma transformação espiritual levada a efeito pelo ministério direto do Espírito Santo sobre a nação. Ezequiel, por exemplo, disse que essa transformação espiritual seria como uma ressurreição nacional (Ez 36.25-29). Este ministério do Espírito Santo que acompanhará a chegada do Messias envolverá, também, um processo de purificação. Note as palavras de Is 4.4: “Quando o Senhor lavar a imundícia das filhas de Sião, e limpar o sangue de Jerusalém do meio dela, com o espírito de justiça, e com o espírito de ardor”. Agora, procure na sua Bíblia, Ml 3.1-3. Note como estes versículos se relacionam com um processo de refinamento ou purificação.

João Batista aplicou essas profecias à chegada de Jesus, o Messias. O Messias, conforme João diz, aplicará o processo purificador do Espírito Santo àqueles que aceitarem Seu ministério e mensagem e, naquele processo de refinação, os tornará súditos condignos do reino messiânico.

Um batismo de julgamento 

A vinda do Messias será uma bênção para aqueles que O aceitarem como seu Redentor Messiânico. Mesmo assim, a Sua vinda também marcará o julgamento divino contra aqueles que O rejeitarem. 

Vemos esse julgamento vindouro vividamente retratado por João Batista em Mt 3.1-12. Você notará, ao ler esses versículos, um relacionamento específico entre o quadro do fogo e do julgamento vindouro. Por exemplo, o v. 10 nos diz que: “toda a árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo”. No v. 12, João Batista afirma que: “[O Messias] queimará a palha com fogo que nunca se apagará”. 

De conformidade com João, portanto, a vinda do Messias terá consequências tanto para os que O aceitarem quanto para os que rejeitarem. Isto pode ser percebido melhor por meio de combinar entre si as duas ideias associadas com o batismo messiânico. 

Já vimos em nossa primeira seção que a bênção messiânica envolverá uma bênção espiritual para aqueles que aceitarem o Messias. Experimentarão o ministério purificador do Espírito Santo, que os transformará em povo escolhido para o Reino de Deus. Por outro lado, conforme vimos em nossa segunda seção, o batismo messiânico envolverá um julgamento definitivo de fogo que será derramado sobre todos aqueles que rejeitarem o Messias.

A missão messiânica (Jo 1.29 e 36) 

“Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. Com estas palavras estarrecedoras, João Batista apresentou o Messias a Israel. Como Israel interpretaria esta proclamação feita por João? 

Sabemos pelo AT que o povo estava acostumado à ideia de um cordeiro sacrificial. Afinal de contas, um cordeiro era oferecido nos sacrifícios matutinos e vespertinos (Êx 29.38-42). Quem poderia contar o número dos cordeiros que eram oferecidos em todas as Páscoas? Mas, com todos estes sacrifícios, nunca havia uma remoção dos pecados, mas apenas uma lembrança deles e uma provisão do derradeiro sacrifício vindouro que seria providenciado pelo próprio Deus (Gn 22.8; Is 53). João Batista lançou mão deste fundo histórico do AT e aplicou-o à chegada de Jesus como o Messias. É notável que ele foi diretamente contra as expectativas judaicas do Messias. Aquele que, segundo o conceito popular, viria como guerreiro vencedor, veio, pelo contrário, como Cordeiro Sacrificial. Levemos essa proclamação de João um passo adiante: ele aplicava a bênção do perdão, não somente ao povo de Israel, mas também ao povo de todas as nações. Jesus veio como o Cordeiro de Deus que levaria os pecados do mundo inteiro.


Chegamos ao auge da mensagem e do ministério de João. Quando chegou o Messias, a obra de João Batista terminou. Conforme disse o próprio Batista: “É necessário que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30). Conforme temos visto nesta lição, as revelações do AT e do NT se reuniram nos primeiros anos da narrativa dos Evangelhos. Os quatrocentos anos do silêncio profético vieram ao fim com a chegada iminente do Messias. João Batista conclamou a nação a preparar-se para sua chegada próxima: “Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus” (Mt 3.2).

PORTA, Paul; Teologia do Novo Testamento : manual de estudos independente por Paul Porta ; ilustrações Gunar Berg de Andrade. -- Campinas, SP : FAETAD, 2009.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

58º ESCOLA BÍBLICA DE OBREIRO - ASSEMBLEIA DE DEUS CONVENÇÃO ABREU E LIMA



A IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS CONVENÇÃO ABREU E LIMA, SOB A PRESIDÊNCIA DO PASTOR JOSÉ ROBERTO DOS SANTOS, ESTEVE ENTRE OS DIAS 14 A 21 DE MAIO DE 2017, COMEMORANDO A 58ª ESCOLA BÍBLICA DE OBREIRO. NA OPORTUNIDADE TAMBÉM JUNTO COM A UNIÃO DE MINISTROS DAS ASSEMBLEIA DE DEUS DO NORDESTE E A COMEMORAÇÃO DO ANIVERSÁRIO DO PASTOR ROBERTO JOSÉ DOS SANTOS.




FOTO COM O PASTOR ROBERTO, PASTOR PRESIDENTE DA IGREJA E CONVENÇÃO DE ABREU E LIMA, JUNTAMENTO COM MINHA QUERIDA FAMÍLIA.




OBREIROS DA ÁREA DE JARDIM PAULISTA BAIXO, PB. MARCOS, JARDIM BAIXO, PB. WELLINGTON, DIRIGENTE DA CONGREGAÇÃO EM JARDIM DA FELICIDADE E PB. LUCAS, DIRIGENTE DA CONGREGAÇÃO DE JARDIM PAULISTA ALTO 2.


CULTO DURANTE A SEMANA.



AULAS ABENÇOADAS DURANTE A SEMANA.


DIA 21 DE MAIO DE 2017, CONSAGRAÇÃO PARA EVANGELISTA, NO MOMENTO QUE O PASTOR JAIRO GONZAGA, MEU PASTOR DURANTE QUASE SETE ANOS, IMPÕE AS MÃOS SOBRE MIM, RECEBENDO A UNÇÃO PARA SER USADO POR DEUS, PARA AQUILO QUE FOR ÚTIL.







NOSSO COMPANHEIRO E AMADO IRMÃO EV. JOÃO CABRAL, NO MOMENTO TAMBÉM SENDO CONSAGRADO, NOSSO RESPEITO E CONSIDERAÇÃO.



AGRADEÇO A MINHA QUERIDA ESPOSA, MARIA DA PAZ, QUE COM MUITA PROPRIEDADE, TEM MIM APOIADO, ACONSELHADO E MIM AMADO.